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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Todos Morrem.

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Isso… Continue tentando gritar, esperneie, implore por sua vida, se puder. Gosto de sentir o medo antes de finalmente tocar em sua delicada e ensanguentada pele, antes de sentir o calor do seu corpo, suas trêmulas curvas e brincar com você das mais diversas e perversas formas possíveis.
Continue diligentemente a tentar gritar, esperneie… Agonize, ninguém faz isso melhor do que você. Gosto de saborear e me deliciar até o último segundo desse sentimento de temor, o maior medo que um ser humano pode sentir o sentimento que me trás tanto prazer ao contemplar, o medo da morte.
Não hesite, apenas faça, deixe que o medo e o desespero assumam a direção e embarque ao seu último e longo destino, afinal que sentimentos combinariam tão perfeitamente quanto esses Presenteando você com uma passagem só de ida para a mais obscura das viagens, em direção a sua última parada, uma parada tão distante… Da qual nunca chegará. Uma viagem um tanto estranha, cujo caminho todos seguiremos, afinal que certeza nós temos da vida senão a morte?
Quanto a mim, serei o seu guia e a conduzirei até a viagem, serei responsável por fazê-la apreciar cada momento desse maravilhoso e sombrio passeio como se fossem os últimos de sua vida, que de fato serão. Não temos muito tempo, mas não se preocupe, eu cuido disso, prometo que farei com que esses momentos sejam os mais longos e infelizes de sua desprezível vida.
Ah, o medo… Esse sentimento tão maravilhoso que aprecio tanto, a chave para todas as portas da obediência, faça com que sintam medo, faça com que se apavorem, e farão exatamente tudo o que for ordenado. E eu simplesmente adoro essa sensação, sensação de poder, sensação de estar no controle, eu decido quem vive e quem morre, eu decido quando e onde, se continuará a pensar e gritar ou se irá calar-se e cair em um sono no qual jamais acordará. Eu sei o que se passa em sua pequena e assustada mente limitada, sei o que você deseja e sou o único que posso atendê-la no momento. Sou sua destruição e única salvação, não há ninguém a quem recorrer se não a mim, eu sou o único deus aqui.
Significa que não há chances de sair viva desse lugar, eu esperei tanto… E finalmente estou aqui, estive te observando durante dias ou talvez meses? Eu nem me recordo mais. O que importa é que te desejei por muito tempo, desde o primeiro momento em que a vi, soube que era você quem deveria ser a próxima, você era a ideal, admito, não foi fácil me conter enquanto te observava, afinal, precisava te estudar detalhadamente e manter o disfarce, mas o desejo continuava a brotar e apenas aumentava cada vez mais até que me dominou por completo, e aqui estamos. Um pouco atraído pelo seu corpo, sua beleza e por você ser tão jovem, mas isso pouco importa pra mim, e muito menos para você agora.
Não deve ter notado nos bilhetes que eu enviava através da caixa de correio, ou nas inúmeras mensagens de texto no seu celular, a maioria das vítimas não percebe, até que eu as revelo e as faço entrar em imediato estado de arrependimento, mas do que adiantaria saber? O que poderia fazer afinal? Chamar a polícia e dizer que está recebendo bilhetes e mensagens de conteúdo estranho? De nada adiantaria, mais cedo ou mais tarde eu estaria aqui, neste obscuro e tão esperado encontro á luz lunar, com você.
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Não se sinta culpada por não ter suspeitado das mensagens ou bilhetes, você não poderia evitar, porque tinha de acontecer, você é a escolhida, de uma forma ou outra estaria aqui. Surpreendeu-me um pouco o fato de você estar acordada tão tarde da noite observando a lua pela janela quando entrei em seu quarto, estava tão distraída a observá-la que pude trancar a porta do seu quarto sem que percebesse e seguir o corredor que deu direto ao quarto dos seus pais, onde pude matá-los sem que ouvisse ou percebesse qualquer sinal dos vários e brutais golpes que receberam por todo o corpo.
O som de cada facada e o sangue que jorrava a cada golpe, lentamente, para que sentissem exatamente a dor de cada golpe recebido. Os dois estavam apavorados, temendo não pelas vidas imprestáveis deles, mas pela sua que estava no quarto ao lado.
Sua mãe foi a primeira, eu estava guardando uma certa raiva por ela de uns dias atrás, quando eu estava prestes a te capturar e ela me interrompeu exatamente no momento em que eu avançara e fui obrigado a ir embora. Você acreditou quando ela disse que eu era um simples assaltante, estou certo?  As pessoas normalmente acreditam em qualquer coisa que possam lhes transmitir conforto e segurança.
Hoje à noite invés de apenas te capturar e “cuidar de você” como planejado, resolvi explorar a sua bela casa. Descobrir uma maneira de entrar foi bem fácil, entrei por uma das janelas de trás que estava entre aberta, talvez para ventilar, já que está muito quente aqui dentro. Não deveria deixar a janela aberta tão tarde da noite, é difícil imaginar que tipo de pessoa poderia entrar por ela, não é mesmo?
Peguei uma faca na sua cozinha, subi as escadas e segui tranquilamente em direção aos quartos, por mais que sua mãe tenha estragado tudo o que eu havia planejado e treinado uma semana atrás, a raiva que ela me trouxe por ter cometido esse erro seria bem útil.
Por esse motivo tranquei a porta do seu quarto quando tive a chance e segui em frente em busca dos seus pais. Os dois estavam exatamente no quarto ao lado do seu, assistindo a um filme romântico nojento e trocando carinhos por baixo de um cobertor de cor branca, a porta estava aberta e o quarto muito escuro.
Estavam muito distraídos quando cheguei, só notaram minha presença após a primeira facada na sua mãe que estava exatamente do lado da cama mais próxima de mim, as paredes eram muito grossas, portanto não dava para ouvir nada além de ruídos pelo lado de fora, muito menos ao lado. A raiva fez com que eu a golpeasse incansavelmente sem parar, do jeito que mais gosto, sem piedade. Até que o corpo ficasse tão ferido com os meus golpes que ninguém seria capaz de identificá-lo.
Foi exatamente por essa raiva que eu a estripei depois de esfaqueá-la tantas vezes, fazendo com que o seu pai assistisse tudo. Cada gota de sangue que caía, cada expressão de horror que apareciam no rosto pálido dela que estava irreconhecível pelas incontáveis facadas dadas por minhas famintas e raivosas mãos. Sem falar do seu intestino que estava por grande parte exposto e caindo em cima do pobre homem, que tentava segurar com esperanças de que poderiam pôr de volta de alguma forma, talvez?
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Logo depois, ele implorou para que eu o matasse, e como alguém misericordioso como eu poderia não conceder a ele o prazer da morte depois desse glorioso momento e providenciar-lhe o encontro com sua amada esposa como ele tanto implorara?
Ele apreciou cada momento de minha misericórdia, assim como eu. Ele simplesmente aceitou a escuridão, até que ela tomasse conta de todo o seu corpo, enquanto eu o perfurava e arrancava partes de todo o interior do seu corpo usando a faca. Apenas depois de algum tempo percebi que não tinha mais nenhuma luz nele para ser tomado por ela.
No fim, o quarto se tornou um cenário diferente, sombrio e solitário. Porém, recebeu uma cor avermelhada e bem mais viva que a pintura anterior, como um artista que cria uma pintura feita apenas de manchas vermelhas. Éramos apenas eu, dois corpos em meio a pedaços de carne humana, órgãos, restos de intestino e incontáveis litros de sangue espalhados sob os móveis, o teto, o chão e entre as paredes de todo o interior do quarto, sangue o suficiente para pintar todo o interior da casa e como brinde deixar um adorável odor de morte. Considerando a decoração original do quarto, não parecia uma ideia tão ruim.
Não adianta gritar ou correr, afinal, já está incapacitada disso. Eu não queria, mas você me obrigou. Você era uma garota tão bela. Não queria que sentisse dor, mas não tive escolha. Esperava que estivesse dormindo quando eu voltasse ao seu quarto, mas de alguma forma você percebeu que minha presença estava próxima.
Ter reagido contra mim só piorou as coisas para você. Não teve forças o suficiente para me enfrentar, pude te dominar facilmente e te prender em sua cama. Mas não foi o suficiente, precisava de uma lição, aprender que não deve nem ao menos tentar me confrontar.
Por isso quebrei todos os seus membros, um a um. E por fim, arranquei sua rachada e desidratada língua que agora se encontra vermelha e ensanguentada no chão do quarto, servindo de jantar para as moscas e outros insetos que estavam por perto. Tentei acariciar seus belos cabelos e mesmo estando em maior parte incapacitada você conseguiu me morder e consequentemente quebrei todos os seus dentes. Mas admiro muito sua coragem, com certeza lembrarei disto quando o fim chegar.
Olhe para você agora. Não se parece nada com a garota da qual um dia eu observara com tanto desejo. Está horrível, mas não é a sua beleza o que desejo, se fosse o caso eu iria embora agora mesmo, tão pouco o seu corpo. Meu desejo vai além do que você possa ver, eu quero a sua luz, quero apagá-la para que nunca mais brilhe novamente, e isso eu só poderia fazer de uma única forma, sabe exatamente como.
Só falta você, somente você, a única que resta… Posso sentir as vibrações, posso sentir o calor… As vozes em minha cabeça gritando por você. Irei agora, irei cuidar de você, não se preocupe, cuidarei para que não se machuque muito, mas não garanto, normalmente é nessa hora que a faca passa a pesar, e eu posso errar a qualquer momento, um corte leve aqui, uma perfuração ali… Ou talvez perfurar e rasgar para cima e para baixo, como se estivesse pintando um quadro. Depende do quanto eu estiver me divertindo com isso.
Logo nada será de você além de um corpo quieto, silencioso, pálido, morto. Despediria-me de você, se você ao menos pudesse, eu poderia dizer algumas coisas para você antes de começar, antes de assistir você sangrar até a morte, ou quem sabe sufocar?
Ainda estou em dúvidas quanto a isso. Só o que eu sei é que quero sentir sobre as minhas mãos a vida abandonar o seu corpo, contemplar, com a visão fixa em seus lindos olhos verdes, até que eu veja a luz os deixar. Você era uma bela garota, e bastante jovem também, seus cabelos ruivos tão luminosos, aparenta ser o inverso disso agora, se é que isso ainda pode ser chamado de ser humano.
Mas não sinta vergonha, não há pelo quê se envergonhar, apenas aceite. Aceite e dê as boas vindas à escuridão que em breve virá te visitar. Deixe que ela te seduza e apenas se entregue a ela, deixe com que ela te sinta, e te domine por completo. Faça com que ela te guie e te leve até o lugar mais escuro e sombrio em meio ás trevas eternas, do qual jamais voltará.
Siga-a, deixe com que ela te leve e te conduza ao sono do qual não mais acordará para observar novamente o nascer do sol do dia seguinte. Deve estar se perguntando o porquê disso estar acontecendo com você, talvez por sua beleza notável que não mais possui, ou quem sabe… Por você ser tão jovem, a verdade é que nada disso importa… Hoje ou daqui a cinquenta anos, que diferença faz? Todos morrem.

Sono.

conto
São pelo menos 3 horas da manhã. Outrora, dormir se tornaria a melhor parte de todos os meus dias, mas hoje está sendo uma experiência que não vou esquecer nunca. Pela primeira vez na minha vida há alguns minutos atrás, implorei para que o sono chegasse, e agora, embrulhada embaixo de meu cobertor escuto passos ecoando por toda a casa.
Talvez fosse um ladrão verificando minha casa de ponta a ponta para ter certeza de que não havia ninguém, mas eu sinto que não. É uma presença maligna, quase que sobrenatural. Eu não conseguia fechar os meus olhos para dormir, por isso queria que o sono chegasse, mas ele não chegou ainda.
Então os passos estão próximos, escuto a coisa sussurrando logo na porta do meu quarto, como se fosse natural andar no escuro, dizendo: “Eu só vou entrar se você me chamar”. Um arrepio sobe da ponta dos meus dedos e sobe até minha cabeça, e em meu quarto escuro, cuja cor da parede foi escolhida preta por mim, por achar que eram atraentes de uma maneira peculiar, sentia que o sono seria a melhor maneira de me livrar daquilo.
Então pedi mais uma vez: Eu preciso do sono. Então aconteceu. O escuro do quarto parecia ter se tornado um vácuo, não era possível ver um centímetro a minha frente. Passos se aproximava de mim, mesmo que tal presença falasse que não entraria se não fosse convidada, ela faria mesmo assim.
Seus passos eram largos, como se quisesse chegar o quanto antes até minha cama e sentir sua calma respiração sobre o cobertor, suas mãos pegava o cobertor, e mesmo naquele escuro, ele parecia ver exatamente onde tudo estava, e então, aproximou-se de mim com um  prazer incomum pelo que fazia. Pegou meu pescoço e começou a aperta-lo com força brutal, e então, disse:
“Você me chamou esse tempo todo, e agora não parece estar com a mesma vontade de me ver.”
E ao ouvir isso, refleti. Enquanto meus últimos suspiros eram dados, minha vida se esvaia, eu entendi por que ele disse isso, entendi por que ele veio aqui, e por que não entrou até aquele momento.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Curse of Truth

Antes de ler, certifique de que já leu Curse


Perdi minha consciência,minha alma e minha vontade.
No lugar de sangue, há pinche.
Em vez de unhas, tenho garras.
Em vez de pele, tenho uma camada negra, áspera e dura.
Em vez de alma, tenho "eles"



Os sussurros que me movem e governam meu ser.

1° Dia

Meu corpo está cansado, minha visão estava turva e minha mente destruída. A dor rasgava minha carne. Como se eu me desfalecesse e montasse de volta em algo que eu mesma não reconhecia. Passei 3 dias apagada no chão frio de mármore de minha casa. Não sentia fome, frio ou mesmo qualquer outra coisa, apenas a vontade.  Ela era grande dentro de minha mente.

"Falta pouco agora... 
Estamos quase lá. …"

Durante o tempo que permaneci ali, aquela voz me assobrou.

4° Dia

Recuperei parte de minhas forças,  mas me sentia vazia. Algo faltava, mas o que era?

Minha pele estava marcada com queimadura negras, sangue e fuligem. Como se parte de mim fosse ou mesmo estivesse queimada. Meus olhos eram negros, e ao demostrar espanto meus dentes eram brancos, como a extensão de dente de tubarão. Nem ao menos me reconhecia, minha expressão era dura, sanguinária e fria.

"Estamos aqui, e em breve você sairá "
Em breve…. Seremos… apenas, um caminho….

Nada fazia sentido naquela hora, ate que eu apaguei.

7° Dia

Ja não fazia questão de sair de casa, o sol, as pessoas, tudo ao meu redor me irritava. Queria eles mortos.
Queria poder destruí los.
Queria acabar com TODOS ELES.

"Falta bem pouco agora,minha criança "

As vozes em minha mente me assustava, mas no momento eram a melhor companhia.
E com o tempo elas me diziam coisas, sobre coisas que iriam acontecer…

13° Dia

Não sentia mais nada.
Mas ainda sim me sentia viva, mais viva do que nunca.
Pela primeira vez desde daquela transição que eu sentir vontade de sair de casa. Sentir vontade de alçar voo. E ver as coisas como estão.

O sangue em minhas mãos era tão bom, o cheiro da morte era doce no meu nariz e o gosto do medo, ahhh ..não havia nada mais prazeroso que isso. Ver o medo invadir a mente,e quando a vida se apaga,ele se esvai e eu o sinto.

Pela primeira vez eu vi a verdade, essa era como eu deveria ser.
Ser aquilo que os tolos teme na escuridão, que teme na noite ou mesmo quando morrem, quando pensam que irão para o inferno.

Tolos

Esquecem que o inferno está na terra, no olhar dos seres humanos que matam e destroem por prazer, naquele homem que destroem e agridem mulheres, nos seres humanos que matam, por que acredita que assim irá fica mais forte e poderá se proteger.
Mas esquecem do julgamento.

Devo dizer que antes eu temia aquilo que eu sentia, o sofrimento, a dor e pânico. Mas depois de mudar vi…

Que somente assim, livrarei os humanos da dor, e do medo.
Eu sou a redenção.
Nasci do desespero e da graça, e nós mais uma vez estamos na terra" Voando por entres as pessoas"

Sou o primeiro dos meus sete irmãos.
E em breve seremos sete novamente.
Para novamente tocarmos o Mundo.

Now I see the truth...

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Coelhos

Em 1998, uma das mais perturbadoras descobertas do século 20 foi feita em uma pequena cidade no estado do Alabama. Durante aquele verão, alguns residentes da cidade de Roebuck alertaram as autoridades sobre a presença de um trailer enferrujado e decadente localizado nos limites da cidade, apenas alguns metros de uma pequena área residencial.

Ocasionalmente, gritos abafados e gemidos podiam ser ouvidos, vindos do aparentemente abandonado trailer e sempre nos finais de tarde, levando os residentes a confundirem com o som de crianças brincando; até que um dia, uma senhora percebeu a estranheza dos sons e resolveu chamar a polícia.

Quando os policiais chegaram, iniciaram uma varredura no trailer. À primeira vista, o trailer parecia estar realmente abandonado. Os únicos móveis eram uma cadeira dobrável enferrujada, um sofá florido manchado, que exalava um forte cheiro de bolor, e uma surpreendentemente nova mesinha de varanda. Não parecia haver algo muito suspeito dentro do trailer. Porém, o mesmo não valia para o pequeno esconderijo abaixo dele.

Debaixo de uma fina camada de terra, uma mala foi retirada do chão abaixo do velho trailer. Dentro da mala, os policiais encontraram 14 fitas VHS sem identificação. O conteúdo das fitas parecia ser exatamente o mesmo, porém, mostrando pessoas diferentes.

As fitas começavam do mesmo jeito, uma tela preta desbotando-se para mostrar uma criança amarrada na mesma cadeira de metal que tinham encontrado no trailer. Todas as crianças nas fitas mostravam a mesma expressão de terror enquanto a câmera passava a focar seus rostos, com olhos vermelhos e fundos. Apesar da fita tampando suas bocas, seus soluços ainda podiam ser ouvidos.

Após alguns segundo de vídeo, a criança arregalava os olhos e começava a chorar de modo mais desesperador. Nesse momento, a sombra do câmeraman tornava-se visível, e era possível perceber que ele segurava um pequeno animal. Julgando pelo formato da sombra e os guinchos, o animal aparentava ser um coelho.

O câmera segurava o animal acima de sua cabeça por alguns minutos, antes de começar a sacudi-lo violentamente e joga-lo no chão com tanta força que o animal soltava um terrível grito. Você até conseguia ouvir os ossos do animal se chocando contra o chão. Como você pode imaginar, isso apenas fazia a criança chorar e gritar mais, porém, os sons eram abafados.

Enquanto a criança continuava gritando, o câmera pegava o coelho que ainda estava vivo e começava a sacudi-lo e joga-lo para cima; dava para perceber uma grande quantidade de sangue saindo do coelho e se espalhando pelo local. Enquanto fazia isso, o câmera falava, “O que houve [o nome da criança]? Pensei que gostava de animais?”

A criança não respondia, ela apenas soluçava. Então o câmera falava com um perceptível tom cínico, “Oww... olha só. Você ainda pode brincar com esse coelhinho depois que eu acabar de brincar com ele, certo?

Após falar isso, o homem pegava uma grande faca de caça, e de forma brutal, cortava o coelho ao meio. Os guinchos do pequeno animal pareciam causar diferentes reações nas crianças. Em alguns vídeos, as crianças pareciam desmaiar com a terrível cena, outras apenas se sacudiam e gritavam. Em um dos vídeos, uma garotinha bem pequena parecia ter vomitado, e como a boca estava tampada com uma fita, o vômito acabou saindo pelo nariz, o que a fez gritar de agonia, então ela começava a ficar mole, enquanto os olhos rolavam para cima. O vídeo acabou mais cedo nesse caso.

Para as crianças que não desmaiavam, o câmera jogava a faca no chão e começava a girar o coelho acima da cabeça, como se fosse as hélices de um helicóptero. Sangue e tripas se espalhava para todos os lados, inclusiva na própria criança aterrorizada. No fim, os vídeos conseguem ficar ainda mais estranhos. Enquanto as crianças continuam a chorar, elas passam, de repente, a olhar para a esquerda e arregalam os olhos enquanto o câmera fala, “Veja, [nome da criança]! Ele quer falar com você!” Após essa fala, o vídeo é cortado abruptamente.
528px-Gold Christian Cross no Red.svgO final dos vídeos eram sempre os mesmos. A imagem de uma cruz vermelha aparecia ao fundo, enquanto as palavras “OBRIGADO PELO VISITA [nome da criança]!!!” surgiam em letras brancas, seguidas pela frase “JESUS TE AMA”.

Após esse caso, a cidade de Roebuck ganhou um certo nível de infâmia no estado do Alabama. Embora o caso tenha sido aberto em 1998, nenhuma outra evidência foi encontrada na área. As crianças nos vídeos não foram identificadas, e o velho trailer foi desmontado e retirado do local, que atualmente serve como um playground para as crianças da área.

Se você decidir visitar o local, aposto que ficará surpreso com o número de coelhos selvagens que ocupam a área. O estranho, é que os coelhos adoram brincar com as crianças que vão ao local, e alguns coelhos até tentam seguir as crianças até suas casas.

Curse.

Caro leitor, se puder ver através desse texto, perceba que eu preciso de ajuda.
Tudo começou há uma semana, eu sei.
Por que não ir para um hospital?
Mas como eu poderia?

13 de junho
Começou. Eu acordei em um sentindo frio, o sabor da adrenalina na boca e uma sensação estranha que me impedia de dormir . O gosto era potente e implacável. Eu não conseguia lembrar o meu sonho, mas ele deve ter sido sobre alguma merda. Eu estava chorando. Meu rosto estava vermelho.
Eu respirei e fui ao banheiro. Quando eu olhei no espelho, eu notei que meus olhos estavam mais escuros. Não era apenas a íris, mas tudo estava mais escuro ,até mesmo a parte branca. Eles estavam com uma cor estranha, uma espécie de cinza ... uma prata, se você quiser dizer assim. Sim. Prata.
15- 16 de junho
Eu não consigo dormir. Meus olhos estão sendo engolidos pelo preto - não há branco, não há íris azul ... apenas preto. Eu estou sozinho e assustado . Minhas dores pelo corpo aumentaram. Eu não aguento mais. Há lacerações formando em meus ombros. Elas são profundas. Elas tem cheiro de sangue e carne podre. Eu estou em tanta agonia.
17 de junho
Mate-me, por favor. Eu estou sufocando me de sangue. As manchas cobriram meu peito, cobrindo meus seios. Eu não posso usar uma camisa ou sutiã qualquer, a dor é demais, cada vez mais intensa.
19 de junho
Acabei de desmaiar em uma poça de sangue. Eu mal posso respirar. Essas coisas, eles são como asas. Eles ficar saindo pra fora da pele, pelo cortes. Eles são como as asas de um corvo - preta, grandes, e diabólicas. Eu vou morrer - se não for por isso, então por suicídio.
SOCORRO.
Preciso de ajuda.

Via:Ler pode ser assustador

terça-feira, 21 de julho de 2015

Oferenda.

Sou Amy. Estou no meu carro indo até a casa de minha amiga Nancy. Ela me ligou chorando, esta muito depressiva esses dias pro causa por causa do desaparecimento de seu marido e de seus dois filhos. Vou até lá para consolá-la ela esta muito sozinha.
Chegando lá ela esta preparando um chá para tomarmos, apesar de eu achar que ela precisa se acalmar mais do que eu, eu aceito o chá. Ela enquanto conversávamos estava sempre chorando e lembrando-se de momentos bons que passava com sua família antes deles desaparecerem. Aquilo me deixava triste, pois não gostava de vê-la sofrendo daquele jeito.
Enquanto tomo meu chá, percebo que ela está com um olhar diferente, ela olhava para mim como se quisesse me matar, será que ela desconfia que eu fiz algo com eles? Impossível nós somos amigas, e além de tudo eu realmente não faria nada a eles. Eu digo para ela se acalmar, que eles apenas desapareceram, eles irão voltar vivos quando ela menos esperar. Quando terminei a frase comecei a me sentir meio tonta e ela rindo, disse:
- você acha que eles irão voltar? Pois eu sei que eles não vão voltar, eles estão mortos, sendo digeridos, dentro do estomago daquele monstro
-como assim Nancy? Que monstro, oque você está dizen—
E eu desmaio.
Eu acordo sem minhas roupas, e amarrada pelos pés e pelas mãos, dentro do que parece ser uma jaula. Tento olhar ao redor, mas é tudo muito escuro, o Maximo que eu consigo ver é oque parece serem três crânios, mas oque era aquilo? Onde eu estava? Nancy então aparece com uma vela na mão, do lado de fora da jaula, e me fala que ela teve que fazer uma oferenda, teve que dar seus filhos e seu marido para o monstro comer, mas o monstro ainda estava com fome, três pessoas não foi o suficiente para saciar sua fome. Ela também disse que gostava muito de mim, mas que estava na hora de dizer “adeus”. Eu ainda me sinto fraca, ouço o que parece ser um rosnado, e uma respiração muito pesada na minha nuca......

domingo, 19 de julho de 2015

Cuidado com o Trem.

“Não, eu juro, não faço ideia do que aconteceu!”

Os gritos constantes estavam me deixando rouca. Com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, eu parava para soluçar no meio de cada frase.

“Meu marido... ele... estava ali num minuto. Ele estava comprando refrigerante na máquina de vendas. Então, de repente... então...”

“Tudo bem, acalme-se senhora. Então, onde exatamente você estava quando aconteceu?” perguntou o policial.

“Nós... estávamos correndo no parque.”

“Então, está dizendo que você e o seu marido estavam juntos antes dele se afastar para comprar um refrigerante na máquina de vendas, é isso?”

“Sim,” respondi, continuando a soluçar descontroladamente.

“Certo. E você o viu se aproximar da plataforma depois de ter comprado o refrigerante?”

“N-não, não vi. Eu estava olhando para o outro lado, para a tabela de horários. A próxima coisa que lembro, é do trem chegando. Eu não entraria sem o meu marido, então me recusei a subir sem ele, e comecei a procura-lo por todo o lugar. Depois que o trem partiu, olhei para os trilhos, lá embaixo, e vi os re-restos d-do meu marido...”

“Bom, é tudo que preciso saber por agora. Obrigado por isso,” disse o policial, olhando para suas anotações.

Três outros policiais pularam nos trilhos, movendo-se cuidadosamente para não pisar nos cabos. Trocaram olhares, puseram as luvas, e se voltaram para os restos do corpo. Tremi violentamente e cobri minha boca com as mãos, enquanto observava a cena e minhas lágrimas manchavam a minha blusa azul turquesa.

Levantando o abdômen dilacerado, os policiais continuaram a retirar o homem morto dos trilhos. Cuidadosamente, eles conseguiram retirar todos os restos, e enquanto cobriam o morto, ocultando a fraca marca cinzenta de sapato nas costas da camisa branca, enxuguei minhas lágrimas e me parabenizei silenciosamente por um trabalho bem feito.

Espiritos Dançantes


  Há alguns anos atrás, na Irlanda, as pessoas tinham medo de deixar suas casas na última noite de Novembro. Elas acreditavam que, naquela madrugada específica do ano, os mortos ergueriam-se de seus túmulos e avançariam sobre os vivos. Se você estivesse na rua naquela noite, eles diziam, e ouvisse passos atrás de você, você não deveria olhar para trás, porque os fantasmas estariam te seguindo e se você fizesse contato visual com eles, certamente morreria.


  Localizada bem no litoral da Irlanda, há uma ilhota que os locais chamam de "Ilha do Tubarão", apesar de que seu nome original em irlandês é "Inis Airc". Hoje em dia, ela está desabitada, mas há poucas décadas, havia pessoas que passavam suas vidas inteiras naquela pequena ilha e uma delas era uma garota chamada Kathleen.

  Em uma noite de novembro, Kathleen estava caminhando de volta para casa. A estrada era longa e ela se cansou de tanto andar, portanto decidiu sentar para descansar por um tempinho.

  Era uma noite fria e escura e o orvalho gélido provocava-lhe arrepios que percorriam sua espinha. Ela olhou em volta e percebeu que estava apoiada no muro de um cemitério de igreja. À luz da lua, as lápides assemelhavam-se a ossos brancos.

  Subitamente, ela viu uma figura surgir da escuridão. Ela teve de colocar a mão na boca para abafar um grito de surpresa que se formava. À medida que o vulto se aproximava, ela percebia que tratava-se de um jovem com pele clara e pálida.

  "Quem é você?", ela perguntou.

  "Dê uma boa olhada em mim", o garoto respondeu. "Você não me reconhece?"

  "Há algo familiar em você", Kathleen disse.

  "Olhe mais de perto", ele disse, deixando a lua iluminar seu rosto. "Agora você se lembra?"

  "Sim, eu te conheço...", ela gaguejou, com a voz reduzida a um sussurro aterrorizado. "Você é o Brian... Mas você... Você se afogou ano passado quando saiu para pescar... Como você pode estar aqui?"

  "Olha", ele disse, apontando para uma colina nas proximidades. "É por isso que eu estou aqui."

  Kathleen olhou e viu luzes mortiças do outro lado da colina, dançando como vaga-lumes em meio ao breu. Quando ela ousou se aproximar, viu que eram pessoas. Homens, mulheres e crianças, vestidos inteiramente de branco, com seus rostos pálidos e melancólicos como em uma procissão de funeral, todos dançando no ritmo da música de flautas invisíveis.

  Kathleen olhou mais de perto e viu uma garota que havia morrido no ano anterior, seguida por outro homem que ela conhecia e que havia falecido há muito tempo.  Para seu horror, ela reconheceu cada um deles. Todos os dançarinos, homens, mulheres e crianças, eram pessoas que haviam morrido naquela ilha, há tanto tempo quanto ela conseguia lembrar. A visão gelou-lhe até os ossos.

  Então, de repente, a música parou. Todos os rostos fantasmagóricos viraram-se em sua direção. Eles ergueram seus braços, estenderam as mãos cadavéricas e acenaram para que ela se unisse a eles. Suas expressões mudaram e tornaram-se hediondas, sorrisos maléficos espalhavam-se por suas faces.

  "Agora", o garoto disse, "corra por sua vida, pois se eles conseguirem te arrastar para a dança dos mortos, você jamais sairá."

  A garota assustada virou-se para correr, mas naquele momento, os espíritos flutuaram em sua direção e deram as mãos, formando um círculo ao seu redor. Eles jogaram suas cabeças para trás em uma gargalhada silenciosa e encararam-na com olhos que pareciam querer apossar-se dela e puxa-la para longe com eles.

  Kathleen ficou lá parada, tremendo, enquanto os mortos risonhos agrupavam-se em volta dela, girando cada vez mais rápido enquanto aproximavam-se mais e mais. Ela começou a sentir-se tonta enquanto os rostos pálidos tornavam-se um borrão de branco rodopiante e logo ela desmaiou e caiu pesadamente no chão de terra batida.

  Na manhã seguinte, Kathleen acordou em casa na sua própria cama. Quando ela não retornou na noite anterior, seu irmão havia ido atrás dela. Ele a encontrou deitada inconsciente dentro de um círculo de pedras na colina e trouxe-a para casa.

  A família de Kathleen reuniu-se em volta de sua cabeceira. Eles podiam ver que o rosto dela estava drenado de qualquer cor e ela estava fraca demais para mover-se. A pobre garota encontrava-se pálida e apática como os mortos. Eles chamaram um médico, que chegou o mais rápido que pôde. Ele tentou tudo o que podia para salva-la, mas não havia solução.

  Quando a lua surgiu naquela noite, sua família estava rezando ao seu lado quando ela começou a ouvir os sons lânguidos de uma música suave, flutuando junto à brisa.

  "Vocês estão ouvindo?", Kathleen perguntou fracamente. "O que significa?"

  A família foi até a janela para tentar ver quem tocava a música, mas não viram nada ao luar além dos campos desolados e vazios até onde a vista alcançava.

  Então, Kathleen sentou-se na cama e começou a gritar, "Mãe! Mãe! Os mortos estão vindo me buscar! Eles estão aqui! Eles estão aqui!"

  De repente, a música cessou e quando eles retornaram para a cabeceira de Kathleen, a garota estava morta.

  Lá fora, em meio à noite, ninguém viu a figura branca e pálida de uma jovem dançando em direção à colina iluminada pela luz da lua.

terça-feira, 14 de julho de 2015

A Babá e o Palhaço.

Susy chegou pontualmente às nove da noite na casa onde iria cuidar de duas crianças de três e cinco anos enquanto seus pais iriam a um jantar de negócios em uma cidade vizinha.
Depois de dar as explicações para o casal saiu da casa deixando Susy com as crianças que já haviam ido deitar-se, o que evitou que ela conhecesse as crianças ou seu quarto.


Algum tempo depois ela escutou choro de crianças no andar de cima onde ficavam os quartos e foi lá ver o que era. Chegando lá encontrou as duas meninas chorando muito.
“O que foi?” – perguntou Susy.
“Eu não gosto de palhaços.” - disse uma delas estendendo a mão para um canto do quarto.
Susy levou um susto ao ver um boneco de palhaço do tamanho de uma pessoa adulta. Segundos após recuperar do susto ela também ficou com medo, pois aquele boneco era muito assustador. Pensou por que os pais deixariam um boneco tão feio no quarto das meninas. Ela sentou e cantou canções para as duas até elas voltarem a dormir. Depois disso voltou para o primeiro andar da casa e foi assistir televisão.
Um estouro acompanhado do choro das meninas minutos depois alertou novamente a babá. Ela correu para o quarto onde as meninas encontravam-se chorando da mesma maneira de ante.
“Vocês tem que voltar a dormir. Ainda estão com medo do palhaço?
“Ele estourou um balão pra nos assustar.”
Susy olhou para o chão e viu o balão estourado, uma agulhada no estomago a deixou preocupada. Ela olhou para o palhaço uma vez mais e pensou que ele estava em outra posição da primeira vez que ela o viu. Ela também ficou com medo e disse para as meninas que iria pedir para os pais virem embora. Desceu as escadas e pegou o telefone que estava na parede, mas estava sem linha. Foi até sua bolsa, pegou o celular e digitou o numero deixado pelos pais das crianças, a mulher atendeu.
“Oi aqui é a Susy, eu estou ligando porque as meninas estão com muito medo. Eu queria saber se eu posso tirar ou cobrir aquele boneco de palhaço gigante lá no quarto delas.”< “O que? Nós não temos nenhum boneco de palhaço em casa.” Somente ai Susy deu-se conta que não mais ouvia o choro das crianças e saiu em disparada para a escada. O suor frio descia pela sua testa, seu coração disparado e a boca seca deixam clara a sensação de pavor que ela sentia naquele momento. Cada degrau da escada parecia ter quilômetros, pois ela queria ver as crianças e saber se estava tudo bem. A única coisa que a mãe da criança escutou foi um grito e o telefone caindo no chão. O casal voltou para casa imediatamente e quando chegaram encontraram as duas crianças e a babá mortas. Todas tinham seus rostos pintados de palhaço e um balão de hélio amarrado no braço.


Via:Ler Pode Ser Assustador

sábado, 4 de julho de 2015

Neblina.


Está escuro aqui. Alguém acende a luz, por favor?! Ah, não. Espera um pouco. Quase me esqueço de que o problema não é o ambiente em que estou. Não há luz aqui por um único e suficiente motivo. Meus olhos estão fechados. E ao lembrar disso, espremo-os com força, para ter certeza de que não corro nenhum risco. Porque basta uma pequena olhada, e toda minha sanidade se vai.
São poucos os que ainda conseguem se manter assim, de olhos fechados. Sem poder abri-los nem sequer por um segundo. Tudo bem que depois de um certo tempo você até que se acostuma. Mas essa angústia, esse medo...é algo que não vai embora. Ao menos, ainda estamos vivos, o que já é, por si só, um belo motivo para comemorar. Muitos já se foram. Alguns mataram quem mais amavam, guiados inconsequentemente pelo grito ensurdecedor. Muitos se suicidaram. Outros, começaram a assassinar uns aos outros, cegamente. E cada um de nós, que ainda sobrevive, vive sempre se perguntando se é seguro olhar lá fora. Se já se pode avistar algo ao abrir os olhos. Nos perguntamos todos os dias se já é hora de encarar o mundo. E eu me pergunto a cada minuto se a maldita e venenosa neblina ainda está lá fora.
Você não tem ideia do que é viver assim. De olhos cerrados. Sem poder abri-los pela manhã. E tudo o que se ouve é o silêncio. Tudo o que sentimos é frio. E o que nos guia é o nosso tato. Ainda assim, nos sentimos completamente perdidos. Saímos rua afora, procurando algo para se apoiar. Meu corpo já não reage a qualquer estímulo, bom ou ruim. Meus pensamentos divagam entre o que é real ou não. Não sabemos se é noite ou se é dia. Nem ao menos sabemos se os barulhos que ouvimos vez ou outra, são mesmo reais ou apenas um efeito colateral do veneno que está à nossa volta. Ilusão e Realidade perderam suas definições.
Cadáveres estão por todo canto. Posso sentir o cheiro podre de putrefação. Deve ter uma porção deles. Corpos espalhados poeticamente pelos arredores. Esse cheiro tá começando a revirar meu estômago. É algo que não me acostumaria nem em um milhão de anos. Não há mais tempo aqui. Tudo é relativo. Tudo é confuso. E eu que reclamava de ver o mundo daqui de baixo. E eu que me queixava de não ter espaço o suficiente para todos nós e todo nosso ego. Agora há espaço de sobra. Agora não importa mais se vejo o mundo de cima ou de baixo. Porque já não o vejo mais. Simples assim. Malditos humanos! Por que não vieram nos salvar?! Morreram todos, ao que parece. E só restamos nós. Felinos de primeira viagem. Acrobatas da noite. Com nossos chiados e murmúrios; clamando por socorro. Mas ninguém consegue nos ouvir. Porque, para o resto do mundo, somos apenas o que parecemos ser. Gatos. Pobres gatos. Nada mais que isso.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sigismund.

Desta vez, a cocaína não estava ajudando em absolutamente nada.
Ele tentava conter o pânico que inundava sua mente e transbordava por seu corpo num tremor incontrolável.
Naquele momento,ele não se sentia o homem cujas teorias eram o assunto de acalorados debates, o gênio que desfizera a ilusão da Humanidade de que a razão estava sempre no comando.
Naquele momento, ele se lembrava do que seus olhos haviam visto e estava duvidando de sua própria razão. Lembrando do que havia visto aquela noite, ele se perguntava se não deveria pedir socorro ao Dr. Charcot, pois deveria estar tão insano quanto qualquer paciente dele.
Naquele momento, ele voltara a ser apenas o pequeno Sigismund, uma criança. Uma criança apavorada!
Naquele momento, deitado em posição fetal sobre o famoso divã que reservava para seus pacientes, ele nem de longe se sentia o grande Doutor Sigmund Schlomo Freud.
*****
Corria o ano de 1907.
Freud recebera uma carta onde um jovem francês pedia a sua ajuda. O rapaz, que assinava como Jean Pierre de Grenouille, declarava ter ficado muito impressionado pela leitura de A Interpretação dos Sonhos, de autoria de Freud.
Na carta, o jovem se apresentava como um caso clássico de licantropia, plenamente convicto de que se transformava em lobo nas noites de lua cheia.
Ao terminar de ler a carta, Freud sorriu, enquanto acendia um de seus famosos charutos.
- Ah, o que o inconsciente não faz para nos fazer lidar com os problemas que queremos enterrar.
Escreveu de volta ao rapaz francês, informando que aceitava tentar ajudá-lo.
Assim, Jean Pierre de Grenouille tornou-se o mais novo paciente de Freud.
Independente de qualquer coisa, o rapaz era um sujeito muito agradável. Apesar de ser muito jovem, ele apresentava uma maturidade fantástica. Freud atribuía isso ao fato de o jovem por ter perdido os pais tão cedo e por ser um homem que estava sempre viajando.
Só lamentava que o motivo que o levava a viajar tanto fosse uma fantasia absurda, a qual ele com certeza recorria para encobrir coisas com as quais seu consciente era incapaz de lidar.
O jovem inventara histórias fantásticas, sobre cavaleiros templários, juramentos de sangue, traição, vingança e - era esta que mais agradava a Freud - seu reencontro com mãe, reencarnada como uma das vítimas do misterioso assassino que aterrorizara Londres algumas décadas antes, o temido Jack, o Estripador.
Aliás, pelo que o jovem a sua frente lhe contava, a polícia inglesa realmente jamais iria saber a verdadeira identidade do assassino, já que o moço, em sua forma lupina, o havia devorado.
Desta história, Freud gostava particularmente da forma como o subconsciente trouxera a mãe, falecida há muitos anos - claro que não os quatrocentos anos que o jovem alegava, claro que não - para o papel de uma prostituta que ele havia resgatado e com quem pudera consumar enfim o desejo carnal que sentia por ela.
Finalmente um caso clássico do que Freud havia denominado de Complexo de Édipo, mas com um disfarce tão mal elaborado, que era perfeito para que Freud demolisse os argumentos dos que questionavam suas teorias.
Freud também estava admirado com a rapidez com que o jovem buscava contar o máximo possível de sua história e, questionado pelo terapeuta, informou que estava com pressa, pois a lua cheia se aproximava e ele teria que se esconder durante todo esse período.
Freud respirou fundo e olhou o rapaz nos olhos: era hora de começar a confrontar as fantasias, destruir as ilusões, encarar de frente o problema e proporcionar ao jovem uma existência digna.
Procurou a primeira trinca na muralha mal construída.
- Mas por que tanta pressa, Jean Pierre, se a lua cheia só começa em duas semanas?
- Tenho percebido que quanto mais a lua cheia se aproxima, a fera toma mais e mais conta de mim. Fico irritado, violento, e a força do lobisomem me transforma num risco para os que estão a minha volta. Veja o imbecil que cuidava das prostitutas de Whitechapel: deve ter sofrido muito com aquela mão quebrada.
- Mas você não aparenta mais do que vinte e dois anos, e estamos falando de algo que aconteceu há quase vinte anos atrás...
Jean Pierre olhou para Freud por um momento e começou a farejar o ar.
Freud achou aquela manifestação muito peculiar.
- Seu tom de voz e ainda mais o seu cheiro me dizem que não acredita em mim, Doutor Freud. Mas há um meio fácil de pôr fim às suas dúvidas. Tem papel e pena?
Sem esperar a resposta de Freud, o jovem levantou-se e caminhou até a escrivaninha do psicanalista.
- Pronto, aqui está. Não apenas o endereço do armazém, mas a exata localização da caixa onde estarei escondido.
Freud olhou para o jovem, um tanto aborrecido.
- Espera mesmo que eu vá a região das docas à noite, filho? É um lugar perigoso!
- Perfeito para que ninguém me incomode, não concorda?
Freud não estava gostando nada daquilo. O jovem estava tentando envolvê-lo em suas fantasias, num processo conhecido como transferência.
Freud ainda tentou argumentar:
- Mesmo que os meliantes que frequentam o lugar não me incomodem, você não estará transformado numa fera terrível, capaz de me matar com a ferocidade de um lobo?
- Sim, mas estarei inofensivo, enrolado em uma grossa corrente de prata. Fosse de ferro, a força dos elos sozinha não seguraria a criatura, mas a prata paralisa os lobisomens.
Freud desistiu daquela linha de argumentação. Afinal, como o jovem dominava o roteiro de sua fantasia, sempre teria respostas prontas, não importando o que lhe perguntassem.
Mas antes que pudesse tentar outra abordagem, o jovem farejou outra vez o ar e sorriu para Freud:
- Não precisa dizer nada, doutor. Seu cheiro já me garantiu que o senhor estará lá.
****
Um cheiro não mente.
Por isso, naquele fim de tarde da primeira noite de lua cheia, mais um mendigo vagava entre os tantos que habitavam a zona portuária de Londres. Afinal, alguém como Sigmund Freud não circularia abertamente naquela região, muito menos a noite.
Achar o armazém e a caixa não foi difícil. Abri-la também não representou nenhuma dificuldade.
Como prometera, lá estava Jean Pierre, usando roupas folgadas, com o corpo envolvido em uma grossa corrente de prata.
O jovem parecia estar em transe. Imóvel, não respondeu aos chamados de Freud, que estava impressionado ao ponto que o jovem chegava para aproximar suas fantasias da realidade.
No céu, os últimos raios de sol se escondiam, dando lugar à noite, e com ela, a lua cheia.
O efeito não foi imediato, o que fez Freud começar a acreditar que estava bancando o idiota.
Já estava se resolvendo a ir embora quando percebeu o pálido brilho azul que começou a emanar do corpo do jovem.
Estupefato, percebeu como lentamente o brilho ganhou intensidade e a transformação propriamente dita começou.
Começou pelas extremidades dos corpo: mãos e pés iam se alongando mais e mais e as unhas cresceram e se tornaram garras afiadíssimas.
Na face, a região da boca ao nariz começou a se estender, formando um alongado focinho, que levou expulsou do rosto do jovem qualquer sinal de humanidade.
As orelhas moveram-se para um ponto mais alto na cabeça, e de lá começaram a alongar-se, tomando um formato pontiagudo.
Os pelos começaram então a crescer, completando a transformação. O homem se fora para dar lugar a fera.
Freud observou tudo aquilo estático, apavorado, mas incapaz de fugir.
A criatura permaneceu imóvel, como Jean Pierre dissera que seria. Enquanto houvesse a corrente de prata a envolvê-lo, não representaria perigo para ninguém.
Freud não se lembraria disso mais tarde, mas teve o cuidado de fechar a caixa antes de ir embora.
Vagou pelas ruas de Londres até chegar ao seu consultório, onde ficou tentando absorver tudo que havia visto.
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Uma semana mais tarde, Jean Pierre não se surpreendeu quando o Doutor Freud se recusou a recebê-lo. Não podia culpar o médico por isso.
Era hora de deixar Londres mais uma vez.
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Trecho extraído da Wikipédia:
"Os primeiros anos de Freud são pouco conhecidos, já que ele destruíra seus escritos pessoais em duas ocasiões: a primeira em 1885 e novamente em 1907. "